A Wix não usa o modelo tradicional de marketing de influência baseado em celebridades e grandes nomes. Em vez disso, a marca trabalha com criadores de nicho e médio porte, principalmente via Reels no Instagram, e aposta em um sistema de teste e amplificação: identifica o que performa bem organicamente e então impulsiona com mídia paga. A análise de 82 posts, 80 criadores e mais de 100 milhões de visualizações mostra que o tamanho do influenciador quase não importa — o desempenho vem da qualidade do conteúdo e do alinhamento com a necessidade universal de ter um site.
Estratégia de marketing de influência da Wix: O que está por trás
A maioria das empresas SaaS encara o marketing de influência da mesma forma: encontra alguém com um público grande, paga por um post e torce para converter. A Wix faz diferente.
Analisamos as menções à Wix e ao Wix Studio no Instagram ao longo de 2025, com foco em possíveis parcerias patrocinadas identificadas por hashtags como #wixpartnership, #wixpartner e marcações de parceria paga. O que encontramos foi uma estratégia muito mais intencional, e mais interessante, do que parece à primeira vista.
Os números, em resumo
82 posts patrocinados
80 criadores únicos
Mais de 100 milhões de visualizações em vídeo
É muito alcance para uma marca que não trabalhou nem uma vez com mega influenciadores.
A estratégia sem celebridades
A Wix trabalha com diferentes tamanhos de criadores, mas para antes da categoria mega. Nenhuma conta acima de 1 milhão de seguidores. O perfil típico de parceiro da Wix parece mais um especialista de nicho do que uma celebridade.
A divisão por categorias ficou assim:
Nano (1 mil–10 mil): 27% dos posts
Micro (10 mil–50 mil): 28% dos posts
Médio porte (50 mil–500 mil): 39% dos posts
Macro (500 mil–1 milhão): 6% dos posts
Mega (1 milhão+): 0%
A parte contraintuitiva é que os criadores de médio porte e os nanos geraram juntos 91% de todas as visualizações, mesmo representando 66% dos posts. Já as contas macro, os maiores nomes da campanha, praticamente não trouxeram resultado.
A correlação entre número de seguidores e visualizações foi de r = −0,10. Ou seja, praticamente zero. O tamanho do público não prevê o alcance do conteúdo.
Só Reels. Sem exceções.


O conteúdo não parece publicidade
Essa parte é difícil de medir em números, mas fica clara quando você assiste aos conteúdos. Uma ceramista mostrando o próprio estúdio. Uma criadora de viagem montando seu portfólio online. Uma professora de espanhol explicando como organiza suas aulas online.
Cada criador fala do seu jeito. A Wix aparece integrada ao conteúdo, mas não domina o vídeo inteiro. Essa liberdade criativa não acontece por acaso. É assim que se cria conteúdo que parece natural o suficiente para ser impulsionado sem ficar óbvio que aquilo é um anúncio.
Seis perfis de criadores. Um ponto em comum.
A Wix não escolhe criadores aleatoriamente. Existem seis arquétipos bem claros dentro do grupo de parceiros:
Web e Design: web designers, especialistas em Wix Studio, desenvolvedores freelancers e estúdios de branding
Artistas e Criadores: pintores, ilustradores, ceramistas e fotógrafos
Pequenos Negócios: floristas, vendedores de produtos artesanais, serviços locais e criadores de conteúdo gastronômico
Saúde e Bem-estar: terapeutas, personal trainers, nutricionistas e criadores de lifestyle sustentável
Lifestyle e Viagem: criadores de viagem, rotina em família e conteúdo de aventura
Negócios e Marketing: profissionais de marketing, consultores, educadores e coaches
Nichos completamente diferentes. Uma necessidade em comum: todos precisam de um site.
Esse é o resumo da estratégia em uma frase. A Wix não está mirando “pessoas que querem criar um site”. Ela está mirando qualquer pessoa que já tenha um motivo para precisar de um, e encontrando criadores que falam diretamente com esse público.
O que os dados realmente mostram
A leitura superficial seria: a Wix trabalha com criadores pequenos e consegue grande alcance. A leitura mais útil é: a Wix construiu um sistema.
A marca espalha apostas entre diferentes perfis de criadores, mantém briefings abertos o suficiente para o conteúdo continuar natural e coloca mídia paga em cima do que performa melhor.
Esse sistema só fica visível quando você olha o conjunto completo: criadores, formatos, categorias e tempo. Um post isolado parece comum. O padrão só aparece quando tudo é analisado em conjunto.
Por que isso faz diferença para análise de concorrentes
É exatamente por isso que vale a pena acompanhar as ações de marketing de influência dos concorrentes. Você aprende pouco observando um único post. Mas quando analisa 82 posts, 80 criadores e mais de 100 milhões de visualizações ao mesmo tempo, a estratégia começa a aparecer.
Com o HypeAuditor, dá para fazer esse tipo de análise com qualquer marca: descobrir com quais criadores ela trabalha, quais formatos está priorizando, quais conteúdos está impulsionando e como a estratégia evolui ao longo do tempo. Os dados estão lá. O desafio é saber onde procurar.
Análise baseada em dados públicos do Instagram de 2025. Os posts patrocinados foram identificados por hashtags de parceria e marcações de parceria paga.
Bônus: 5 aprendizados da Head de Influencer Marketing da Wix
Sarah Adam, responsável por Partnerships & Influencer Marketing na Wix, é uma das poucas profissionais da área que compartilha números reais, não só frameworks. Depois de mais de 1.000 parcerias com influenciadores e mais de 2.000 conteúdos produzidos, estes foram alguns dos principais aprendizados dela.
Seguidores não preveem visualizações. Qualidade de conteúdo, sim. “Quando comecei a trabalhar com influenciadores, há 3 anos, meu benchmark para prospecção era 20 mil seguidores. Depois de algumas campanhas, entendi que número de seguidores não significa muita coisa. O que importa mesmo são visualizações e engajamento.” Hoje, a equipe dela considera 10 mil visualizações por vídeo como o principal critério de decisão, não a quantidade de seguidores.
Dê o volante para os criadores, mas defina o destino. “É como entrar em um carro com um influenciador. O influenciador dirige. Você vai no banco de trás. Antes da viagem começar, vocês definem o destino. Depois disso, você fica quieto e deixa o influenciador dirigir.” O briefing define o objetivo. O criador decide como chegar lá.
Pequenos contratos são o começo, não o fim. “Nunca trate um acordo pontual como algo pequeno. Pense sempre no potencial de longo prazo.” A equipe da Sarah já transformou um teste de US$ 6 mil em uma parceria contínua acima de US$ 28 mil com o mesmo criador depois de construir confiança e comprovar resultados.
Impulsione o que funciona. Não dependa da sorte. “Tamanho não importa quando você impulsiona conteúdo.” Em um dos exemplos compartilhados por ela, um criador com 55 mil inscritos no YouTube e quase nenhuma presença no TikTok gerou 850 mil impressões em um vídeo impulsionado no TikTok. Custo total: US$ 5.500. CPM: US$ 6,85.
Atitude importa mais do que performance. “O conteúdo performou bem? Foi fácil trabalhar com o influenciador? A segunda pergunta é ainda mais importante para nós do que a primeira. Conteúdo dá para melhorar. Atitude, nem tanto.”
Quer acompanhar como a Sarah pensa em tempo real? Ela compartilha bastidores bem detalhados sobre como tudo isso é construído no dia a dia no LinkedIn.













